Não confunda essa uva com a cidade toscana, por Didú Russo

Publicado em 25/07/2017

Prazer, esta é a Montepulciano! Conhecida por ser a segunda uva mais plantada da Itália, a uva se adaptou bem às margens do Adriático. Didú Russo apresenta a casta em O vinho em questão…

Por Didú Russo

A casta Montepulciano – não confundir com a cidade homônima que fica na Toscana -, costuma dar vinhos de sabor leve, baixa acidez e taninos suaves, com aspecto denso e com cor muito intensa. Mas há casos de vinhos corpulentos também com essa uva. Muito usada em pureza, e também em assemblages com outras castas como Sangiovese ou Syrah. Diz-se ser a segunda casta mais plantada na Itália e os abruzzeses garantem que muito vinho italiano leva Montepulciano no corte e ninguém diz…

O fato é que a casta é sedutora e cultivada nas regiões italianas banhadas pelo Adriático, as cidades de Abruzzo, Marche e Molise são grandes produtoras. E Abruzzo acabou emprestando seu nome À casta, conhecida como Montepulciano d’Abruzzo em sua denominação de origem, uma das 50 DOs italianas que cultivam a Montepulciano. Eles costumam envelhecer muito bem, ganhando toques de vermute em seu paladar. Mas são deliciosos quando novos, vivamente frutados, intensos.

Embora as vinhas tenham sido plantadas na década de 1970, a família passou a produzir vinho com seu nome – Villa Medoro – apenas na terceira geração, por iniciativa de Federica Medoro, que decidiu se dedicar às vinhas autóctones de propriedade de sua família e mostrou seu talento com a iniciativa. A vinícola está localizada em Atri, cidade à beira das águas do Adriático, um lugar maravilhoso numa altitude de 200 metros acima do nível do mar, com 92 hectares de terreno de argila marinha e calcáreo, onde cultivam além da Montepulciano d’Abruzzo, as castas Trebbiano, Pecorino, Passerina, Rosso del duca e Chimera.

Este Montepulciano d’Abruzzo foi uma grande surpresa para mim, por sua intensidade e frescor. Seu nariz sugere ter passado por madeira – mas não. As uvas ficaram em contato com o mosto por vinte dias em tanques de aço inoxidável, tanto durante a fermentação alcoólica quanto durante a malolática, e depois o vinho foi engarrafado.

Foi incrível a intensidade que ganhou. E a exuberância dessa casta.

Uma ótimo opção para quem gosta dos vinhos do Novo Mundo e quer experimentar o que há no Velho Mundo no mesmo estilo. É prazer garantido! A junção da obstinação pelo cultivo das castas autóctones de expressão regional com técnicas de vinificação de última geração fazem um bom trabalho neste rótulo. Recomendo.

Bacio!

Didú Russo é Editor do site www.didu.com.br. Depois de ter passado por diversos veículos de comunicação como Revista Manchete, Editora Globo e TV Record, Eduardo Russo – mais conhecido pelo apelido Didú – escreve sobre vinhos desde 1992 e já lançou dois livros sobre o tema: “Nem leigo, nem expert” e “Vinho para o sucesso profissional”. Depois de ter ministrado mais de 200 palestras e ser o Editor de um dos maiores blogs de vinho do Brasil há mais de 15 anos, também é vice-presidente da Confraria dos Sommeliers, colaborador das revistas 29horas, Prazeres da Mesa, do Jornal do Vinho & Cia e é coordenador do Comitê do Vinho da FECOMERCIO, onde atua na desoneração, desburocratização e divulgação do vinho.

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