Experimente um rosé e se surpreenda, por Didú Russo

Publicado em 02/05/2017

A Provence é muito mais do que você imagina no mundo do vinho. A bebida existe lá antes ainda dos romanos, levada pelos gregos que fundaram Marseille há mais de 26 séculos. O vinho, à época, era, claro, rosado – como foi até o século XVII –, se aprimorou e nunca saiu de moda. Hoje, representa a tipicidade da região.

Por Didú Russo

Um verdadeiro rosé da Provence é claro, límpido, seco, estruturado, elegante, aromático e fresco. Sua cor é inimitável, indo do rosa clarinho ao cobre cintilante, passando pela cor de casca de cebola. Muito sedutor. A região produz cerca de 120 milhões de garrafas por ano dessa maravilha de frescor e estrutura que só a Provence consegue. Todos imitam sem o sucesso que gostariam. São três as Apelações de Origem Controladas (AOCs) da Provence: Coteaux d’Aix-en-Provence, Coteaux Varois en Provence e Côtes de Provence.

Coteaux d’Aix-en-Provence

Terra de Cézanne, terroir de solos argilo-calcários, sol e do vento frio regional chamado mistral. Produz tintos de caráter, amplos, carnudos e de aroma potente… Brancos aromáticos finos e elegantes… Quanto aos rosés, vivos, frutados, com leveza e flexibilidade que se casam maravilhosamente à cozinha do verão ou como aperitivo.

Coteaux Varois en Provence

Reflexo perfeito do interior da Provence, a denominação é protegida pelas montanhas que o cercam, aproveitando-se assim de um micro-clima de tipo continental. É alimentada por um terreno argilo-calcário. Os vinhedos contam com uma grande variedade de uvas, sutilmente associadas, que dão nascimento a cuvées típicas.

Côtes de Provence

Extraindo sua força em solos pouco úmidos, estes vinhos se beneficiam do mistral e da luminosidade tão típica da Provence. Os cinco terroirs que compõem esta apelação dão origem a tintos amplos, estruturados e generosos; brancos aromáticos, de grande classe; mas eles se distinguem principalmente na arte do rosé. Autêntica tradição, a elaboração de rosé Côtes de Provence pede um conhecimento específico e produz vinhos secos, frutados e elegantes, cuja coloração luminosa não se assemelha a nenhuma outra.

Excelentes para se tomar como aperitivo, com as entradas à vinagrete, frituras ou ainda saladas, como a famosa niçoise, o rosé é simplesmente espetacular. Com a estrutura quase de um tinto e o frescor de um branco, os vinhos rosé são garantia de sucesso em nosso clima.

O vinho em questão…

Este Berne Esprit di Méditerranée, em questão, é o vinho de entrada de um grande produtor, o Château de Berne, um Côte de Provence, que fica sediado na região de Var, entre os delicados campos de Lorgues e Flayosc, utilizados desde o século XVIII para descanso e meditação dos visitantes. Sua história remonta ao século XI, quando o Conde de Toulouse Raymond V doou a propriedade para São Bernardo, fundador da ordem cisterciense.

Hoje, o Château pertence ao um inglês, Bill Muddyman, que investiu em mais 32 hectares de vinhedos e que trouxe modernidade à secular vinícola, construindo também um centro de turismo vínico, onde é possível usufruir de toda a infraestrutura e conhecer os vinhos e a comida que produzem. Boa pedida para curtir um pôr-do-sol provençal com uma taça de rosé…

O vinho é resultado de delicada prensa das castas Cinsault, Grenache, Carignan e Cabernet Sauvignon que permanecem poucas horas em contato com as cascas para conseguir esta sedutora cor. Seu nariz lembra frutas vermelhas, como framboesas e morangos, de forma delicada e sedutora. Sua boca é austera e com pequeno amargor que não agrada a todos, mas que dá um toque gastronômico importante ao vinho. Importante saber que na Provence é proibido se produzir vinho rosé com misturas de vinhos tintos e brancos.

Saúde!

Didú Russo é Editor do site www.didu.com.br. Depois de ter passado por diversos veículos de comunicação como Revista Manchete, Editora Globo e TV Record, Eduardo Russo – mais conhecido pelo apelido Didú – escreve sobre vinhos desde 1992 e já lançou dois livros sobre o tema: “Nem leigo, nem expert” e “Vinho para o sucesso profissional”. Depois de ter ministrado mais de 200 palestras e ser o Editor de um dos maiores blogs de vinho do Brasil há mais de 15 anos, também é vice-presidente da Confraria dos Sommeliers, colaborador das revistas 29horas, Prazeres da Mesa, do Jornal do Vinho & Cia e é coordenador do Comitê do Vinho da FECOMERCIO, onde atua na desoneração, desburocratização e divulgação do vinho.

Esta matéria fala sobre: O vinho em questão...

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