O melhor exemplo de harmonização, por Didú Russo

Publicado em 10/07/2017

Além de ser um vinho repleto de história, o Sassomagno nos prova em taça a qualidade da Tenuta Fanti, que produz vinhos com a máxima tipicidade da Toscana. Conheça a história da vinícola de Montalcino nas palavras de Didú Russo e confira a sua experiência com esse rótulo!

Por Didú Russo

Eu adoro vinho italiano, e adoro ainda mais os Toscanos. Só de sentir os aromas na taça já me vem à cabeça a memória de Montalcino, aquele espetáculo; daquelas piazzas, das tratorias, das vinotecas e até do sorvete de Brunello… Que lugar maravilhoso e repleto de fantásticos produtores! Na Enoteca di Piazza se pode provar em taças mais de cem Brunellos! Pode imaginar o que é isso? Para nós, que amamos vinho, é um verdadeiro parque de diversões, não é mesmo?!

Essa Tenuta Fanti tem história. É do século XIX, mas a melhor parte é a história recente, que tem como protagonistas pai e filha, Filippo Fanti e sua bela filha Elisa Fanti. Filippo assumiu a Tenuta na década de 1970 junto com a propriedade da família e decidiu investir em qualidade, tanto das vinhas como dos olivais. Dos 300 hectares da propriedade, Filippo selecionou os 70 melhores para formar novos vinhedos, trabalho que fez questão de implantar pessoalmente. Mas em 2007 juntou ao seu otimismo, a paixão, a energia e o toque feminino de Elisa.

Juntou-se então a experiência do pai e o entusiasmo da filha, que colocam a Fanti num raro momento no panorama do vinho toscano. Com respeito ao cultivo orgânico e a tecnologia de ponta na cantina, a Fanti tem a convicção de garantir o melhor de seu terroir, num contínuo trabalho de respeito ao meio ambiente como meio de crescer sua qualidade. Ela apresenta uma linha de excelentes Brunellos e de Rossos, de Rosatos, de Bianco de Vin Santo e de Grappa, além do azeite.

Mas minha alegria costuma mesmo ser sempre com os vinhos de entrada, e não foi diferente com a Tenuta Fanti. Explico a razão: não há dúvida que os vinhos “top” das vinícolas são superiores, normalmente de vinhedos mais antigos, colheitas mais selecionadas, afinamento mais longo, etc.; porém quando a vinícola é voltada para a qualidade, para o vinho, e não para a indústria de vinho, seus vinhos de entrada se fazem presentes com destaque, pois sua relação de qualidade e preço é normalmente muito boa se comparada com os “top”. não posso negar que esse ponto faz muita diferença para mim como consumidor. Quando sou convidado a degustar vinhos, estou sempre pesando o meu bolso na minha vida cotidiana. O caso deste Sassomagno me alegra demais, pois com 60% de Sangiovese ele garante a personalidade toscana, inegavelmente, e seu assemblage com as francesas Merlot, Syrah e Cabernet Sauvignon, dão ao vinho o toque que faltava para finesse precoce que um Sangiovesse em pureza jamais daria com pouca idade.

Este vinho foi degustado em um momento que parecia feito por encomenda, pois recebi a visita de um amigo oriundi (com ascendência italiana, mas nascido fora da Itália), além de meus filhos, com uma mesa mais que adequada ao vinho. Pão italiano, caponata com pimentões, berinjelas, abobrinhas, com os temperos tradicionais de cebola, alho, azeite, manjericão e um toque de orégano fresco. Um bom pedaço de provolone e outro de parmesão. Pronto era o que precisava enquanto esperava a pasta… Estou até agora me perguntando se o antepasto melhorou o vinho ou se o vinho melhorou o antepasto, o fato é que os dois juntos se transformaram em algo superior. Esse é o melhor exemplo de uma harmonização para mim. Cada um dos dois eram excelentes separados, mas juntos… Dio Santo!

Didú Russo é Editor do site www.didu.com.br. Depois de ter passado por diversos veículos de comunicação como Revista Manchete, Editora Globo e TV Record, Eduardo Russo – mais conhecido pelo apelido Didú – escreve sobre vinhos desde 1992 e já lançou dois livros sobre o tema: “Nem leigo, nem expert” e “Vinho para o sucesso profissional”. Depois de ter ministrado mais de 200 palestras e ser o Editor de um dos maiores blogs de vinho do Brasil há mais de 15 anos, também é vice-presidente da Confraria dos Sommeliers, colaborador das revistas 29horas, Prazeres da Mesa, do Jornal do Vinho & Cia e é coordenador do Comitê do Vinho da FECOMERCIO, onde atua na desoneração, desburocratização e divulgação do vinho.

Esta matéria fala sobre: O vinho em questão...

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