O charme do Vinho Verde, por Didú Russo

Publicado em 09/05/2017

Eu adoro a agulha do Vinho Verde tradicional. Para o leitor não familiarizado, informo que “agulha” é como se chama a pequena efervescência que o Vinho Verde apresenta, conferindo incomparável frescor e personalidade. Hoje, lamentavelmente essa característica vem perdendo adeptos entre os produtores, por considerarem que os jovens não gostam, o que muito me entristece. Ora, o charme do Vinho Verde, para mim, é exatamente essa agulha!

Por Didú Russo

Se você experimentar o Adega Guimarães – feito a partir das castas Loureiro, Arinto, Trajadura e Azal -, entenderá o que digo. E entenderá também como é a agulha verdadeira, que logo em seguida conduz aos sedutores aromas de maçãs, peras e frutas cítricas. Se percebe agradavelmente na boca, logo ao início, mas que depois desaparece, coisa que não acontece nos vinhos que adicionam gás carbônico para ter o resultado da agulha… Hoje, são raros estes mais delicados.

Conta-se que por a região ter muita precipitação de chuva, colhia-se as uvas ainda não muito maduras, o que resultava num vinho com essa característica e frescor. Colhia-se a uva, portanto, “verde” e engarrafava-se logo. Isso dava o frescor e a agulha. O fato é que o brasileiro deveria beber mais Vinho Verde.

Fundada em 1962, por 82 viticultores de visão, a Adega Cooperativa de Guimarães se estabeleceu em 1963 na cidade de Fermentões, com o objetivo de receber, vinificar e comercializar as uvas dos seus cooperadores. Graças às evidentes vantagens que a associação de produtores em cooperativas apresentava, a Adega Cooperativa de Guimarães rapidamente floresceu, chegando a agregar 250 viticultores do Concelho de Guimarães. Durante os anos 1970 e 80, a realidade agrícola da região sofreu profundas alterações, consumando-se o abandono da atividade vitivinícola o que, consequentemente, se refletiu na Adega Cooperativa de Guimarães, em sua representatividade e atividade. Os anos 90 trouxeram de novo o entusiasmo à produção vitivinícola e as direções desta cooperativa, atentas ao potencial econômico da produção de Vinho Verde e às novas necessidades do viticultor, apostaram em formas avançadas de cooperativismo.

Importante saber que existe o Vinho Verde Alvarinho, este nunca tem agulha. É vinho complexo e, inclusive, longevo, como o Riesling. Eles são da região de Monção e Melgaço que, até 2014, tinham monopólio da casta. Depois de muito trabalho político se conseguiu a partir de 2015 que a casta já poderia ser utilizada como corte em outras regiões e agora foi decidido que a partir de 2020, a Alvarinho poderá dar origem a Vinhos Verdes em qualquer região do Minho.

Delicioso Vinho Verde Adega Guimarães que você encontra na Grand Cru. Você encontra dois tipos de Vinho Verde, os Alvarinho, que são normalmente vinhos superiores e de grande qualidade de evolução. São longevos como Rieslings. E há os Vinhos Verdes frescos, para se tomar jovem, normalmente das castas Trajadural, Azal, Loureiro, Espadeiro etc., estes costumam ter o que se chama "agulha", uma pequena efervescência que é muito gastronômica. Vinhos próprios para frituras, imbatível eu diria e também com vinagretez. Invista mais nos vinhos verdes que você vai me agradecer. Saúde! #vinhoverde #vinhoportugues #vinho #portugal #instavinho

Publicado por Didu Russo em Domingo, 23 de abril de 2017

Saiba que existe também um “controverso” Vinho Verde tinto, que eu particularmente adoro, normalmente da casta Vinhão, a mesma Souzão do Douro, que é super tânica. Esse vinho tem acidez alta e tanino alto, com álcool baixo. É desconcertante, principalmente para os sul-americanos acostumados com tintos de álcool alto e acidez baixa. Ele é espetacular com bacalhau!

Se vale minha dica, beba mais Vinho Verde. Eles são imbatíveis para harmonizar bolinhos, frituras em geral. Um espetáculo de frescor e prazer.

Saúde!

Didú Russo é Editor do site www.didu.com.br. Depois de ter passado por diversos veículos de comunicação como Revista Manchete, Editora Globo e TV Record, Eduardo Russo – mais conhecido pelo apelido Didú – escreve sobre vinhos desde 1992 e já lançou dois livros sobre o tema: “Nem leigo, nem expert” e “Vinho para o sucesso profissional”. Depois de ter ministrado mais de 200 palestras e ser o Editor de um dos maiores blogs de vinho do Brasil há mais de 15 anos, também é vice-presidente da Confraria dos Sommeliers, colaborador das revistas 29horas, Prazeres da Mesa, do Jornal do Vinho & Cia e é coordenador do Comitê do Vinho da FECOMERCIO, onde atua na desoneração, desburocratização e divulgação do vinho.

 

Esta matéria fala sobre: O vinho em questão...

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