La Vie en Rose: descobrindo o vinho rosé, por Daniella Romano

Publicado em 26/10/2017

Você até já provou um rosé ou outro, mas ainda tem alguma resistência com o estilo de vinhos rosados? Confira as dicas da Sommelière Daniella Romano e descubra o seu estilo de vinhos rosés!

Por Daniella Romano

“Quand il me prend dans ses bras
Il me parle tout bas
Je vois la vie en rose”

“(Quando ele me toma em seus braços
Ele me fala sussurando
Eu vejo a vida cor de rosa)”

– La Vie en Rose, Edith Piaff

Não é à toa que, na música, Edith Piaff via tudo cor de rosa. Ela estava apaixonada! Rosa é mesmo a cor da paixão e da ternura, uma cor que consegue ser sexy e angelical ao mesmo tempo.

E se pensarmos nos vinhos rosés é fácil perceber essa delicadeza. Como são lindos os seus tons e como colorem nossas mesas e nossas vidas! Seja no outono e inverno, quando damos vazão aos mais encorpados, como na primavera e no verão. Ah o verão… Época na qual eles reinam quase que absolutos!

Versáteis, frescos, perfumadíssimos, em sua quase total maioria, harmonizam com todos os pratos, acho que é por isso mesmo que se tornaram os “queridinhos” do momento e começaram a aparecer nas mesas dos restaurantes mais baladados de Mykonos, Ibiza, Nova Iorque e São Paulo.

Sabe aquela mesa grandona, cheia de amigos e de alegria?! Mas aí, cada um escolhe um prato diferente: peixes, massas, carnes, molhos agridoces, à base de queijo, etc… Uma festa gastronômica. Qual o vinho para combinar com tudo isso? Pensou nele? eu também: vá de rosé! 😉

Nada mais gostoso para nosso clima tropical, nossos pratos regionais, nossa cultura de aperitivos e comidinhas, nossos pratos de peixes e frutos do mar. Tudo isso vai bem com rosé.

O Rosé parece simples, mas é um vinho bem elaborado. Sem dúvida, são os de Provence, na França, os mais conhecidos e celebrados – são fantásticos e marcados pela leveza. Já os da “vizinha” Tavel, por exemplo, produzem rosés estruturados, longevos, diferentes… Cada região, ou mesmo cada país, tem um estilo de vinhos rosés diferente.

Isso é parte do charme de beber um rosé, com certeza você encontrará um estilo para chamar de seu!

Os vinhos rosés são produzidos a partir da maceração de uvas tintas, porém elas ficam pouco tempo em contato com as cascas (responsáveis pela coloração nos vinhos tintos e rosés). Normalmente, algumas poucas horas são suficientes para chegar à cor desejada. Em seguida, o mosto (suco) e as cascas são separados e o vinho continua o processo de fermentação sem contato com as peles. Eles também podem ser produzidos com blend (mistura) de vinhos brancos e tintos, mas isso é proibido em muitos países, como na França – que porém, abre uma exceção quando o assunto é a produção do Champagne rosé. Existe ainda um método mais antigo, quase não utilizado hoje em dia, a sangria: durante a maceração de vinhos tintos, uma pequena porção é separada (sangrada) para a produção de rosés, e o restante do liquido permanece mais concentrado na cuba para finalizar a fermentação em contato com as cascas – dando origem a um vinho tinto.

Seja como for, se você ainda tem alguma resistência, dê uma trégua e escolha um na próxima oportunidade. Aproveite esses dias quentes e ensolarados para curtir um bom rosé: deixe a garrafa por uns vinte minutinhos em um balde de gelo para resfriar (metade gelo, metade água e um punhado de sal grosso) e delicie-se com um estilo de vinho, que além de tudo tem uma gama de cores encantadora!

Cheers!

Daniella Romano percebeu que tinha olfato aguçado depois de se formar Sommelière pela Federação Italiana de Sommeliers, Hoteleiros e Restauradores no Piemonte. Decidiu seguir estudando os aromas do vinho e passou por instituições como Universidade de Davis e Université du Vin de Suze-la-Rousse. Pioneira no estudo e desenvolvimento das caixas de aromas do vinho no Brasil, é hoje referência no assunto e compartilha o seu conhecimento no The Wine Institute, entre as principais escolas de educação de vinho no mundo.

Esta matéria fala sobre: Primeiras taças!

Matérias relacionadas:

Enoturismo na Provence: um caso de amor por vinhos rosé

Continue lendo

"Vinho branco com peixes e frutos do mar: essa regra vale sempre?", por Daniel Perches

Continue lendo

Volta ao mundo em 5 rosés, por Giovanna Ferraz Borges

Continue lendo

"Cooling things" (ou a temperatura de serviço ideal), por Daniella Romano

Continue lendo

"We need glasses, baby", por Daniella Romano

Continue lendo

A escolha do vinho certo no restaurante, por Daniella Romano

Continue lendo