"Cooling things" (ou a temperatura de serviço ideal), por Daniella Romano

Publicado em 25/05/2017

Sabia que cada tipo de vinho tem uma temperatura de serviço ideal? E é importante saber a que temperatura servir cada estilo de vinho, pois isso está diretamente ligado à apreciação da bebida. Aprenda com a sommelière Daniella Romano, que acompanha você em suas Primeiras Taças!

Por Daniella Romano

Já ouvi muitas vezes a expressão “ cerveja boa é cerveja gelada”. Aprendemos assim quando tudo era Pilsen! A cerveja muito gelada – assim como qualquer bebida – fica sem gosto, além de não liberar nenhum aroma. Atualmente, com tantas cervejas especiais seria mesmo uma pena consumi-las quase congeladas e perder a oportunidade de sentir todas as notas, o sabor, o gostinho que fica na boca depois que engolimos (retrogosto). Se é assim com a cerveja, minha proposta é entendermos melhor o que se passa com o vinho…

O vinho é uma bebida delicada, que muda de humor de acordo com a temperatura, você sabia?

Pois é. Quando bem cuidado e na temperatura correta, ele nos entrega tudo de mais lindo: os aromas se desprendem, os taninos ficam redondos, macios, o dulçor na medida certa…enfim, tudo se expressa!

Acostumados a beber cervejas muito geladas, às vezes nos equivocamos ao “congelar” o Champagne ou o vinho branco. E não nos atentamos ao fato de que cada tipo de vinho tem uma temperatura ideal para ser consumido.

Por exemplo, o Champagne e os outros vinhos espumantes devem ser consumidos a 6º C. E não mais gelados do que isso, pois quanto mais gelados, mais difícil será perceber os aromas que precisam evaporar para se dissiparem. Com certeza você já leu nos rótulos de muitos vinhos tintos: “servir à temperatura ambiente”, mas refletindo um pouco, como ficaria o mesmo vinho se fosse servido em Manaus (AM), onde a temperatura média local é de 30ºC, e em São Joaquim (RS), 13ºC ? Isso acontece porque muitos dos rótulos que consumimos são importados de países onde a temperatura ambiente não ultrapassa os 20ºC, portanto, uma temperatura muito próxima da ideal para consumi-los.

Para não errar, fiz uma tabelinha que você poderá imprimir e deixar à mão para consultar a qualquer momento.
Essas sutilezas fazem toda a diferença na hora de saborear um vinho. Uma boa dica para gelar os vinhos brancos e espumantes é colocar num balde, misturando metade de gelo, metade de água e acrescentando álcool e um punhado de sal. Em trinta minutinhos, o vinho estará pronto para beber! Já se você precisar resfriar um tinto, basta colocar no balde com água gelada por uns quinze minutos.

E um lembrete: a geladeira comum não é lugar para guardar o vinho. Se você não tiver uma adega, melhor guardá-lo em um armário ou em um lugar seco e sem luz direta, longe dos odores de comidas e da vibração do motor da geladeira. Lembre-se de armazenar as garrafas deitadas, para evitar o ressecamento da rolha.

Sabe aquele espumante que sobrou no Natal e você deixou lá na geladeira por meses, esperando a próxima oportunidade de beber? Com certeza terá perdido o gás e a vivacidade. Então, na próxima vez, se sobrar vinho na geladeira, não perca tempo – essa com certeza é mais uma das boas coisas que a bebida proporciona: chame os amigos ou a família e compartilhe boas taças e bons momentos.

Cheers!

Daniella Romano percebeu que tinha olfato aguçado depois de se formar Sommelière pela Federação Italiana de Sommeliers, Hoteleiros e Restauradores no Piemonte. Decidiu seguir estudando os aromas do vinho e passou por instituições como Universidade de Davis e Université du Vin de Suze-la-Rousse.

Pioneira no estudo e desenvolvimento das caixas de aromas do vinho no Brasil, é hoje referência no assunto e compartilha o seu conhecimento no The Wine Institute, entre as principais escolas de educação de vinho no mundo.

Esta matéria fala sobre: Primeiras taças!

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