Champagne: conheça a região francesa que produz os espumantes mais importantes do mundo

Publicado em 07/11/2016

Já reparou como o Champagne marca todos os momentos importantes das nossas vidas? Costumamos abrir uma garrafa no momento do nascimento de um bebê, para os brindes nos casamentos, para comemorar uma conquista importante, na chegada de um novo ano. É um vinho que se bebe para celebrar!

E a história do surgimento desse vinho com borbulhas está à altura de sua fama! Conheça a origem dos vinhos espumantes produzidos na região de Champagne e como eles se tornaram os mais sofisticados do mundo.

Champagne, a região que deu nome aos famosos espumantes

O Champagne foi batizado com o nome da região onde ele é produzido, Champagne, no norte da França, a 145 km a nordeste de Paris. Essa porção do interior a norte de Roma era chamada pelos romanos de campagnia, em latim. Ali, os vinhos são produzidos desde a época do Império Romano, mas foi só no século XVII que os vinhos com borbulhas começaram a ganhar fama.

Vinhedos na região de Champagne, no noroeste da França.

Vinhedos na região de Champagne, no noroeste da França.

A lenda de Dom Pérignon

A história mais famosa que cerca o surgimento do Champagne conta que um monge beneditino chamado Don Pierre Pérignon, um mestre de cave de uma abadia na região (hoje propriedade da Moët & Chandon), descobriu os vinhos com borbulhas por acaso em sua adega. Curioso sobre aquele vinho diferente, Don Pérignon pegou uma taça para degusta-lo e, após provar, exclamou “parece que estou provando estrelas!”.

Embora a lenda tenha se fixado na história do vinho, ela não é, de todo, verdadeira. O vinho com borbulhas já era conhecido de longa data na região, e era considerado uma característica bastante incômoda pelos produtores de vinhos tintos locais, os Champenois.

Os vinhos de Champagne de então – denominação regional para o vinho tinto ali produzido-, estava muito longe de chegar na qualidade dos vinhos produzidos na sua região francesa rival, a Borgonha. Eles eram turvos, arenosos, rosados e ácidos. E, como se não bastasse, produziam uma espuma característica que nunca havia sido vista em nenhum outro vinho.

Essas borbulhas eram resultado de uma conjunção das características únicas e peculiares do terroir local.

Champagne é uma das regiões vinícolas mais frias do mundo. Na época de Pérignon, os vinhos eram produzidos no outono e deixados descansar durante o inverno, para então serem distribuídos na primavera seguinte. A questão é que, com as baixas temperaturas locais, o processo de fermentação acabava sendo interrompido, mesmo que ainda restasse açúcar não transformado em álcool e leveduras vivas dentro dos barris. Na primavera, as leveduras acordavam da hibernação e continuavam seu trabalho, causando uma segunda fermentação natural. Esse processo, por sua vez, liberava gás carbônico, responsável pela espuma final dos vinhos de Champagne.

Essa espuma resultante era bastante indesejada pelos vinicultores, que não entendiam porque seus vinhos eram os únicos a terem esse aspecto final. Dom Pérignon e outros importantes monges enólogos passaram quase toda suas vidas tentando entender como se dava esse processo e procurando novas formas de melhorar a qualidade dos vinhos de Champagne.

Devido ao sua longo e cuidadoso trabalho, Pérignon foi o primeiro a desenvolver uma série de técnicas importantíssimas para o que se chegasse hoje, no vinho que chamamos de Champagne.

O monge enólogo foi o primeiro a desenvolver a técnica de transformar uvas tintas em vinho branco, por exemplo. Ele também foi o primeiro a separar o vinho produzido por diferentes vinhedos, assim como a fazer um blend de vinhos de uvas diferentes para produzir um Champagne mais complexo. Por último, Pérignon deixou de colocar os espumantes nos barris de carvalho e passou a deixa-los em jarras de vidro. Entre muitas outras inovações. Embora tenha sido responsável por uma melhora histórica dos vinhos produzidos na região, o monge não foi capaz de resolver o que mais o incomodava: as borbulhas .

Foi no século XVII, no entanto, que os Champenois perceberam que talvez o futuro dos seus vinhos não estivesse na busca por uma solução para as borbulhas, mas em aproveitar essa sua característica tão especial e refiná-la.

Como são produzidos os Champagnes modernos

A receita que deu fama aos vinhos de lá é uma vinho que mistura três cepas, a Pinot Noir, a Pinot Meunier e a Chardonnay. As uvas eram prensadas levemente, de forma a produzir um suco leve e claro. Ele era, então, colocado para fermentar e, depois, passava por um engarrafamento prematuro. Muitas vezes, para interromper a fermentação, os vinicultores abriam as portas da suas caves em pleno inverno, deixando a neve e o frio entrar. Dentro da garrafa, a segunda fermentação acontecia, de forma que o gás carbônico liberado se misturava ao vinho.

Hoje a segunda fermentação, que pode ser considerado um defeito em vinhos tranquilos, foi refinada ao máximo. Diferente da época de Pérignon, o processo é meticulosamente controlado. Em vez de engarrafar as garrafas antes do fim da primeira fermentação, é adicionado, na garrafa do Champagne brut (ou seja, seco, sem açúcar), um pouco de leveduras e licor de expedição. Um ou dois anos depois, o resultado é um espumante fresco e rico, com bastante personalidade e delicadeza.

Para conservar as borbulhas é preciso manter a pressão ideal da garrafa, o que só é possível com as rolhas especiais para espumantes, além da colocação da gaiola, uma estrutura metálica que segura-a no lugar.

caves onde repousam as garrafas de Champagne enquanto passam pela segunda fermentação.

caves onde repousam as garrafas de Champagne enquanto passam pela segunda fermentação.

Mas, afinal, qual a diferença entre Champagne e espumante?

Champagne é o nome que damos para os espumantes produzidos na região de Champagne, com as técnicas estipuladas pela tradição local. Além de Champagne, outras regiões do mundo também possuem seus espumantes com denominação de origem, como a Espanha, com a Cava, a Argentina, com o Espumoso, e a Itália, com o Prosecco e a Franciacota . Nessa matéria especial sobre espumantes você pode conhecer os principais espumantes do mundo.

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Espumante Billecart-Salmon Brut Réserve 750 mL

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