O caminho entre o Novo e o Velho Mundo, por Didú Russo

Publicado em 10/11/2017

Gostoso e guloso, este tinto enche a boca com fruta madura, ameixas, cerejas, toques de canela e de cravo. Vinho redondo e de acidez média, esse Negroamaro tem cor intensa, profunda e é fácil de gostar. Na boca aparecem figos secos e ameixas secas. Vinho próprio para carnes de caça e queijos curados. Não tem passagem por barricas.

Por Didú Russo

A Cantina San Marzano é outro típico exemplo de união que os italianos têm. Eles são bons em se unir em cooperativas ou associações para obterem melhores resultados. E foi assim com esses produtores, num total de 19, que em 1962 resolveram unir esforços. Produtores de uva desde sempre, se uniram e venceram. Hoje, essa paixão e respeito pela tradição da região deu resultado e a Azienda é vencedora, virou uma gigante que conta com nada menos que 1.200 produtores! Há vinhos em diversas faixas de mercado, desde pontuados no Gambero Rosso até vinhos cotidianos que fazem o grande mercado.

Eles ficam bem no salto da bota do mapa da Itália… Numa faixa de terra que tem dois mares, o Jônico e o Adriático, região de vinho intenso e denso, dos Primitivos, dos Negroamaros, entre outras castas. O terroir Mediterrâneo é bem característico, resultando em vinhos densos e gulosos, normalmente de acidez média e muito intensos. São vinhos muito apropriados para quem está habituado com vinhos do Novo Mundo e quer começar no Velho Mundo. Não tem como não gostar de um vinho desses. Eles são sedutores, gulosos, densos e com toques de cravo e de canela, que sugerem algo adocicado como os Malbecs. Ficam maravilhosos com queijos curados picantes e também com as carnes estruturadas, com molhos apurados, como as carnes de panela com batatas cozidas e depois fritas.

Esses vinhos da Puglia valem mesmo experimentar, pois são caminho certo entre Novo e Velho Mundo e conseguem ser macios, com frescor e intensidade, o que garante boas harmonizações. Interessante que essa uva é mais uma de tantas, cujo nome sugere uma coisa e na verdade a boca é outra. Ela, de amargo, não tem nada, ao contrário, costuma ter residual alto de açúcar e também o álcool da ensolarada região resulta em percepção doce, e não amarga. Experimente, você vai gostar!

Saúde!

Didú Russo é Editor do site www.didu.com.br. Depois de ter passado por diversos veículos de comunicação como Revista Manchete, Editora Globo e TV Record, Eduardo Russo – mais conhecido pelo apelido Didú – escreve sobre vinhos desde 1992 e já lançou dois livros sobre o tema: “Nem leigo, nem expert” e “Vinho para o sucesso profissional”. Depois de ter ministrado mais de 200 palestras e ser o Editor de um dos maiores blogs de vinho do Brasil há mais de 15 anos, também é vice-presidente da Confraria dos Sommeliers, colaborador das revistas 29horas, Prazeres da Mesa, do Jornal do Vinho & Cia e é coordenador do Comitê do Vinho da FECOMERCIO, onde atua na desoneração, desburocratização e divulgação do vinho.

Esta matéria fala sobre: O vinho em questão...

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