Guia prático de esqui para iniciantes, por Giovanna Ferraz Borges

Publicado em 24/08/2017

Está planejando esquiar, mas não entende quase nada do assunto? Confira o guia prático de esqui para iniciantes que a Giovanna Ferraz Borges, colunista de viagens da Grand Cru, preparou para você se aventurar na neve. Aqui, você vai descobrir quais são as pistas de esqui mais famosas do mundo, vai entender a diferenças entre as pistas, dicas de onde treinar no Brasil e em que época do ano esquiar.

Por Giovanna Ferraz Borges

Cada país, cidade e montanha possui um tipo de neve, altitude, inclinação, nível de dificuldade… Não sabe qual local é o melhor para você? Conheça as 9 cidades e pistas mais famosas do mundo e suas principais características.

Whistler, Colúmbia Britânica, Canadá

A Whistler Blackcomb é um conjunto de duas montanhas com o maior terreno de esqui da América do Norte. Durante o inverno, a quantidade de neve que cai é muito grande – inclusive mesmo indo no verão é possível ver camadas de neve pela montanha toda. As descidas são bem íngremes e longas, somando mais de 1.500 metros. Para mais informações, acesse www.whistler.com

…It's the winter that keeps on giving! 10cm overnight, measured at Pig Alley. Photo📷: @ericbergerphoto

A post shared by Tourism Whistler (@gowhistler) on

Valle Nevado, Chile

O Valle Nevado é um dos locais preferidos dos turistas brasileiros por possuir diferentes graus de dificuldade – além de ser perto do Brasil. O Valle soma cerca de 9 mil hectares de Cordilheira dos Andes e 34 pistas disponíveis para os apaixonados por esqui. Para mais informações, acesse www.vallenevado.com

Con esta antigua postal cerramos este fin de semana, gracias a todos los que nos acompañaron. #Vivevalle

A post shared by Valle Nevado Ski Resort (@valle_nevado) on

Niseko, Hokkaido, Japão

As montanhas de Niseko possuem os flocos de neve mais consistentes do mundo. Por isso, é um dos locais mais seguros para se esquiar, inclusive no período da noite, onde luzes potentes clareiam as pistas. Ao total, são 780 metros verticais de descidas. Para mais informações, acesse www.nisekotourism.com

Spring season has come!! For operation period for each ski resort, please see here.http://www.nisekotourism.com/whats-on/event/niseko-ski-resort-opening-schedule-2016-172

Publicado por Niseko Tourism em Quinta-feira, 9 de março de 2017

Jackson, Wyoming, Estados Unidos

A pista de Jackson é ideal para quem procura neve leve e fofa em grandes montanhas. Para os experientes, vale descer o Rendezvous Mountain com 1.261 metros de descida. Aos iniciantes e intermediários, outras pistas menos íngremes e mais curtas também estão disponíveis. Para mais informações, acesse www.jacksonhole.com

Your ticket to the top. #ridethetram #jacksonhole #jhdreaming

A post shared by Jackson Hole Mountain Resort (@jacksonhole) on

Chamonix, França

Chamonix fica aos pés do Mont Blanc, que possui 4.810 metros de altura. Algumas de suas 11 zonas de esqui são íngremes e bem perigosas para os amadores, portanto, se informe antes para saber os níveis de dificuldade. Ao total, são mais de 2.700 metros a serem percorridos, incluindo alguns picos que têm acesso ao teleférico. Para mais informações, acesse www.chamonix.com

Wanaka, Nova Zelândia

Para quem está começando a esquiar, a pista Cardrona é a mais adequada da Nova Zelândia. As outras duas – Snow Park NZ e Treble Cone – são para verdadeiros experts. A Snow Park NZ é ótima para manobras radicais e a Treble Cone, com descida íngreme e neve fofa, é ideal para intermediários. Para mais informações, acesse www. newzealand.com

Aspen, Colorado, Estados Unidos

A montanha é uma das mais sofisticadas do país e tem pistas para todos os tipos de esquiadores. As descidas são bem verticais, sendo a Snowmass a segunda mais íngreme dos Estados Unidos. Foi um dos primeiros destinos do mundo a incentivar a prática do esporte. Para mais informações, acesse www.colorado.com

Mont Tremblant, Quebec, Canadá

Com 644 metros de descida, o Mont Tremblant é o principal ponto de esqui na parte leste da América do Norte. O seu teleférico foi inaugurado em 1939 e até hoje faz sucesso em suas quatro zonas. Ao total, são quase 80 quilômetros de pistas, sendo Nansen a maior, com 6 quilômetros. Para mais informações, acesse www.tremblant.ca

Zermatt, Suíça

Dominada pela Matterhorn, Zermatt possui três zonas de esqui interconectadas e drops verticais de mais de 2.100 metros. Há opções de para todos os níveis de esquiadores, além do imperdível teleférico Matterhorn Glacier Paradise, o maior dos Alpes. Para mais informações, acesse www.zermatt.ch

And we're still skiing 😉👌🏻☀ #zermatt #matterhorn #inlovewithswitzerland #skiing #yesweski #super_switzerland #stunning #weekend

A post shared by Zermatt – Matterhorn (@zermatt.matterhorn) on

Existe diferença entre esquiar, por exemplo, no Japão e no Chile?

Esquiar na América do Norte é bem diferente de esquiar no Japão que é bem diferente de esquiar na Europa. Não sabia? Então confira as diferenças abaixo!

América do Norte x Europa

  • – Na América do Norte, os teleféricos e resorts ficam bem distantes da pista de esqui, enquanto na Europa tudo está mais próximo e dentro das próprias cidades, facilitando a locomoção entre os lugares. Um local que entra como exceção é Whistle, no Canadá, já que a pista segue os padrões europeus.
  • – Justamente por estarem localizadas a grandes distâncias das cidades ao redor, as pessoas vão de carro até as estações de esqui na América do Norte. Para chegar a algumas cidades da Europa que possuem pistas de esqui, como por exemplo Zermatt, a recomendação é ir de trem e utilizar os transfers disponíveis nos hotéis para locomoção, já que muitas ruas são fechadas para circulação.
  • – Nos Estados Unidos há uma espécie de polícia da pista que observa as corridas e dá sinais e advertências aos esquiadores. Caso haja alguma infração grave, a polícia tem o direito de confiscar o passe da pessoa. Isso acontece, pois os donos dos resorts prezam pela segurança dos esquiadores e querem evitar processos judiciais. Na Europa, o esqui é bem informal e não há nenhuma fiscalização, já que as pistas não são atreladas aos resorts. Há sinais e placas que advertem as pessoas, mas os organizadores deixam os acidentes por conta e risco do esquiador. É claro que há sempre equipe médica e patrulha disposta, mas é raro acontecer a fiscalização do passe. Já o Canadá é uma mistura entre os o Novo e o Velho Continente.
  • – Se a ideia é esquiar com poucas pessoas ao redor, vá para a América do Norte. As cidades da Europa que possuem pistas de esqui são pequenas e muito procuradas em suas temporadas, resultando em resorts sempre superlotados. Já na América do Norte, por conta da enorme variedade de cidades, os esquiadores se sentem mais livres e com mais espaço para a prática do esporte.
  • – E a neve, por fim? Chega a nevar o dobro na América do Norte do que na Europa, dependendo da região. Por exemplo, em Whistler se espera 10 metros de neve todos os anos e em Chamonix apenas 5 metros.

Chile x Japão

  • – A altitude do Chile é realmente muito elevada. No Valle Nevado, por exemplo, as pessoas esquiam em altitudes acima de 3.600 metros. Já em Pucón, a sul de Santiago, os esquiadores praticam o esporte perto dos vulcões do país, em altitudes entre 1.800 e 2.700 metros. Já no Japão, a pista de esqui mais alta do país atinge 2.300 metros de altitude, sendo a maioria na média de 1.200 metros de altitude.
  • – A neve do Chile é bem fina e extremamente seca por conta do clima árido das Cordilheiras. Por isso, as pistas são muito lisas e superficiais, parecendo um enorme tapete de gelo. No Japão, especialmente em Niseko, é previsto 15 metros de neve por temporada (mas a quantidade já chegou aos 30 metros!). Os flocos japoneses são grossos e densos, criando uma camada bem firme na terra.
  • – As estações de esqui no Chile não possuem árvores, , isso por conta da lava dos vulcões e da altitude, uma vez que o solo não é propício para o crescimento de plantas. Sendo assim, não há grandes perigos na prática do esqui no país. A maioria das pistas do Japão, como a Niseko e a Furano, possuem muitas árvores no meio da pista. A Zao, por exemplo, tem tantas árvores que elas ganharam o apelido de “monstros de neve” em decorrência da forma que elas assumem.
  • – Durante o inverno, o Chile está ensolarado 80% do tempo e as temperaturas variam entre 0 e -5 graus. No Japão, o tempo é instável e podem ocorrer chuvas intensas e tempestades de neves inesperadas, dificultando a visão durante a prática do esqui. As temperaturas variam de 0 a -10 graus.
  • – O Chile não tem muita infra-estrutura e as áreas de esqui são bem isoladas das principais cidades. Portanto, é necessário estar hospedado em um dos poucos hotéis e resorts locais nos dias da prática do esporte. Já o Japão possui uma área imensa de resorts lado a lado, podendo acomodar milhares de pessoas. Uma área chamada Hakubo, por exemplo, tem mais de doze acomodações em um trecho de 30 quilômetros – e não é a maior de todas.

É possível praticar esqui no Brasil?

Escolheu o lugar ideal para esquiar, mas não sabe praticar o esporte? Confira os 3 mais badalados do Brasil para treinar e se divertir antes da viagem!

1. Snowland (Gramado, Rio Grande do Sul)

O parque é um complexo fechado que reproduz a neve e as temperaturas de uma pista de esqui na Europa. A montanha de neve permite as pessoas a treinarem snowboard, snowmobiles, escalada, entre outras atividades. Para mais informações, acesse www.snowland.com.br

2. Estação de Esqui Mont Blanc (Teresópolis, Rio de Janeiro)

A atração faz parte do Parc Magique, do hotel Le Canton. É a primeira pista de esqui artificial coberta da América Latina. Os visitantes podem praticar esqui e snowboard, contando com aulas de instrução. Para mais informações, acesse www.lecanton.com.br

3. Ski Mountain Park (São Roque, São Paulo)

O local possui pista de 100 metros de descida para iniciantes e de 400 metros para os de nível intermediário. O chão é feito de placas de plástico, tipo polietileno, dando a mesma sensação de esquiar no gelo. Em julho, o parque joga neve artificial com uma máquina na pista. Para mais informações, acesse www.skipark.com.br

Só é possível esquiar no inverno?

Todas as cidades abrem as suas pistas de esqui no início da temporada de inverno ou quando a neve começa a cair. Mas quando a temporada exatamente se inicia e termina? Isso depende muito da região.

Em Mont Tremblant, no Canadá, por exemplo, o período de esqui se inicia em novembro e se encerra em abril, no meio da primavera. Já no Valle Nevado, no Chile, a temporada se inicia quase no fim de junho e termina no fim de setembro. Em Yabuli, na China, a temporada se inicia em novembro e termina em março.

Conclusão: não é só no inverno que se pode esquiar, pois normalmente as pistas ficam abertas até o meio da primavera. É essencial verificar a região e a previsão do tempo diretamente com a estação de esqui escolhida, pois ano após ano as datas se modificam conforme a quantidade de neve esperada. Não se esqueça da taça de vinho (claro, depois de já ter praticado o esporte radical!) para aquecer.

Apaixonada por viajar, a jornalista Giovanna Ferraz Borges é uma verdadeira colecionadora de carimbos em seu passaporte. Depois de viver em São Paulo, Londres e em Lyon, escolheu Montreal como a sua segunda cidade – mas faz questão de dizer que o mundo é o seu lar. Aqui, na Revista Digital da Grand Cru, assina a coluna Aperte os Cintos, com as melhores dicas de turismo!

Esta matéria fala sobre: Aperte os cintos

Matérias relacionadas:

5 hotéis com lareira para aproveitar o inverno no Brasil, por Giovanna Ferraz Borges

Continue lendo

As 7 adegas mais inspiradoras do mundo, por Giovanna Ferraz Borges

Continue lendo

Guia prático de como se virar em um restaurante na Itália sem falar italiano - Parte I, por Giovanna Ferraz Borges

Continue lendo

3 lugares para comer (e se aquecer) no inverno em São Paulo, por Paola Perroti

Continue lendo

6 receitas para o inverno - com dicas incríveis de harmonização com vinho!

Continue lendo

Como montar a sua adega de inverno: os 7 tipos de vinho que não podem faltar na estação

Continue lendo