A Pinot Noir pelo mundo

Publicado em 19/07/2016

A Pinot Noir é uma casta tinta que tem suas origens nos solos na Borgonha, na França, a partir da qual são produzidos os vinhos tintos mais famosos da região. Ela é também um importante componente do corte do tradicional Champagne, única bebida em que é cortada com outras variedades, além de formar outros espumantes do Novo Mundo.

A uva é conhecida como uma das mais sensuais castas tintas, pois confere um sabor e uma elegância muito característicos aos seus vinhos, tornando-os bastante complexos, com aromas intensos e que evoluem muito bem com o passar dos anos.

No entanto, a Pinot Noir é conhecida por ser uma uva de difícil cultivo e manuseio, com forte personalidade e que não se adapta facilmente a diferenças climáticas e de solo. Ela exige mais dedicação e trabalho que qualquer outra casta tinta, tanto no cultivo da vinha quanto no processo de vinificação.

Pela sua fama e reputação, os vinhos de Pinot Noir apareceram como personagens importantes em duas produções cinematográficas: o famoso Sideways – Entre Umas e Outras, que se passa na região vinícola da Califórnia, e o clássico A festa de Babette, de 1987 (aqui a gente indica vários filmes legais sobre vinho).

Características da Pinot Noir

A Pinot Noir é uma uva que amadurece cedo e tem como principais características a sua elegância, intensidade aromática e corpo médio a leve, além de uma alta acidez.

Os cachos da Pinot Noir costumam ser compactos, com uvas pequenas de cor violeta profunda, mas com suco bastante doce. A casca das uvas é fina, o que traz como característica poucos taninos e menos pigmentos nos vinhos feitos a partir dela.

Na produção de vinhos, raramente a uva é cortada com outras cepas, a não ser para formar o Champagne, onde é a espinha dorsal dos cortes originais, acompanhada pelas Pinot Meunier e Chardonnay. Além disso, ela é utilizada para a produção do Blanc de Noir, um Champagne branco feito 100% de Pinot Noir.

Quando jovem, um vinho de Pinot Noir é bastante aromático e possui notas de frutas silvestres, como framboesas, morangos, cerejas e ameixas, além de notas florais, principalmente de violetas e rosas, e especiarias, como açafrão, alcaçuz e canela. A bebida apresenta uma coloração que varia do vermelho rubi ao roxo, mas a cor não costuma ser profunda.

Como a uva está bem adaptada ao clima moderado a fresco da região, fora da Borgonha a cepa pode sofrer com temperaturas mais quentes, produzindo vinhos com sabores de fruta muito madura e perdendo o seu caráter mais complexo. Além disso, a Pinot Noir é uma variedade que sofre muito com as enfermidades da umidade. Por isso ela precisa de climas mais frios e secos.

A história da uva Pinot Noir

Os clones da família Pinot Noir são descendentes da uva selvagem, a Vitis vinífera silvestres. Essa origem pode explicar a sua antiguidade: a cepa possui mais de dois mil anos de existência e os primeiros registros do seu cultivo datam de cerca de 150 a.C., da época dos Gauleses, provavelmente quando esta variedade da uva selvagem foi domesticada para a produção de vinhos. A casta é cultivada desde 1.375 na região da Borgonha, onde está bastante adaptada ao clima e ao solo.

Segundo um estudo recente publicado pela Universidade de Davis, na Califórnia, ao menos 16 cepas de variedades vinícolas modernas são originárias da Pinot Noir. Seus rastros de DNA foram encontrados em importantes castas, tais como Chardonnay, Gamay, Melon de Bourgogne (Muscadet) e Auxerrois (Malbec).

A Pinot Noir pede climas mais frios e secos para chegar ao seu auge.

Trajetória da Pinot Noir

A Pinot Noir é uma casta que passou a ser cultivada em outras partes do mundo após a década de 90. Hoje, a variedade é cultivada em uma série de países, se destacando principalmente no Velho Mundo, na Espanha, Itália, Áustria, Alemanha e Reino Unido, e no Novo Mundo, nos EUA, na Nova Zelândia, África do Sul, Chile e Argentina.

É bem interessante o fato de que a Pinot Noir é uma casta com muita personalidade, mas que produz vinhos muito distintos dependendo do terroir em que ela é cultivada, já que cada região valoriza uma faceta diferente da uva.

A seguir, vamos falar um pouco sobre as principais regiões produtoras de Pinot Noir no mundo.

Nova Zelândia

A Nova Zelândia é um dos países que mais se desatacam como produtores de Pinot Noir do mundo. As principais regiões produtores da variedade são: Martinborough, Malborough e Central Otago. A Pinot Noir representa cerca de 8% da produção nacional, o que significa, no ano de 2015, 36 mil toneladas colhidas. Malborough, ao norte da ilha sul, se destaca com Pinot Noir de altíssima qualidade.

Que tal provar um Pinot Noir típico da Nova Zelândia?

Vinho Tinto Saint Clair Pioneer Block Pinot Noir 2011 750 mL

Vinho Tinto Saint Clair Pioneer Block Pinot Noir 2011 750 mL

Chile

No Chile, a Pinot Noir tem se adaptado bem aos climas mais frescos e com influência marítima de Casablanca, região chilena que fica entre Valparaiso e Santiago e que se destaca entre as demais pelo sucesso dos produtores com a uva. Outras regiões produtoras entre cordilheiras têm cultivado a casta com ótimos resultados, como o Vale de Santo Antônio, ao sul de Valparaiso, e o Vale de Limarí, a cerca de 400 quilômetros ao norte de Santiago.

Que tal provar um Pinot Noir típico do Chile?

Vinho Tinto Morande Pionero Pinot Noir 2015 750 mL

Estados Unidos

Nos Estados Unidos as regiões que mais se destacam na produção de Pinot Noir são Carnenos e Sonoma, na Califórnia, e Willamete Valley, no Estado de Oregon. Para os especialistas, os vinhos estadunidenses são os que chegam mais perto da qualidade dos produzidos da região da Borgonha.

Que tal provar um Pinot Noir típico dos EUA?

Vinho Tinto Redtree Pinot Noir 2012 750 mL

Argentina

Na Argentina são duas as regiões produtoras de vinhos a partir da Pinot Noir: a região de Mendoza, conhecida pela Malbec, embora seja mais quente do que o clima preferido da variedade; e na região do Rio Negro, na Patagônia, mais fria e seca.

Quer experimentar a Pinot Noir em sua versão argentina?

Confira o rótulo que foi considerado pelo Guia Descorchados como uma das safras mais especiais da uva: Vinho Tinto Terroir Único Pinot Noir.

vinho-tinto-zorzal-terroir-unico-pinot-noir-2015-750-ml

Vinho Tinto Redtree Pinot Noir 2015 750 mL

França

Além da Borgonha, a França conta com outras excelentes regiões produtoras de Pinot Noir. A Sancerre, uma sub-região do Loire, por exemplo, produz versões mais rústicas e com muito caráter. A Alsácia, Languedoc-Roussillon e a Provença também são boas regiões produtoras de vinhos a partir da cepa.

Um curiosidade sobre a Pinot Noir: como uma uva com poucos taninos o vinho apresente pouca quantidade de sedimentos. Por isso a garrafa normalmente utilizada para acondicionar os vinhos de Pinot Noir é a Borgonha, em vez da Bordeaux. Conheça mais sobre os diferentes tipos de garrafas aqui.

Que tal provar um Pinot Noir típico da Borgonha?

vinho-tinto-bouchard-bourgogne-pinot-noir-la-vignee-2013-750-ml

Vinho Tinto Bouchard Bourgogne Pinot Noir La Vignée 2014 750 mL

Harmonização com Pinot Noir

Os vinhos de Pinot Noir possuem corpo médio, taninos leves e uma boa acidez, o que os torna muito gastronômicos. Isso significa que os vinhos dessa cepa combinam com uma grande variedade de pratos.

Um bom exemplo são as carnes. A Pinot Noir combina uma variedade incrível delas: carnes vermelhas magras, como a vitela, presuntos cozidos, aves como frango e pato, além de peixes grelhados, como salmão, atum e tipos de água doce. No entanto, os vinhos dessa cepa também harmonizam com carnes de caça, como coelho e javali.

Para os queijos, os preferidos dessa variedade são os semiduros (como o Gouda), queijos brancos cremosos (como o Camembert e Brie) e os foundues.

Alguns dos clássicos pratos franceses harmonizam perfeitamente com um bom Pinot Noir, como o Escargot à La Bourguignonne, Coq Au Vin e Boeuf Bourguignon (veja a receita aqui).

A lista de boas escolhas de pratos leves incluem as sopas, como a canja de galinha, os vegetais cozidos e os risotos.

E entre os pratos tipicamente brasileiros, a carne seca com queijo coalho e o escondidinho de carne seca com pinhão são excelentes opções.

E as sobremesas? Chocolates com até 70% de cacau em sua composição harmonizam muito bem com a cepa.

Podemos perceber que a Pinot Noir é uma uva bastante versátil, que pode ser usada como curinga para as mais diversas combinações gastronômicas.

Como servir o Pinot Noir

A graduação alcoólica dos vinhos fica na casa dos 12 e 13%, e o indicado é que sejam servidos entre 14 e 15°C, como os vinhos de corpo leve. A não ser que o vinho de Pinot Noir tenha mais que oito anos de idade, caso em que a temperatura pode ser de 15°C.

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