O que significa, afinal, bom custo-benefício ao falar de vinho?

Publicado em 03/05/2016

Não é difícil encontrar vinhos baratos. Verdade. Mas o fato de custarem pouco não significa que tenham boa relação entre qualidade e preço. Aliás, poucos vinhos baratos conseguem arrancar as palavras “bom custo-benefício” da crítica especializada. É possível, ainda, encontrar vinhos caros que recebam tal adjetivo. Ficou confuso?

Foi no final de 2015 que o renomado especialista em vinho Jorge Lucki divulgou a extensa lista com os melhores vinhos que provou no ano. Entre as mais diversas categorias, o vinho Zorzal Terroir Único Malbec 2015 ficou em primeiro lugar em “melhor relação qualidade/preço existente no mercado brasileiro” da Argentina.

Afirmamos: vai ser difícil encontrar vinhos de melhor relação custo-benefício do que este rótulo da linha Terroir Único, da bem reputada vinícola argentina Zorzal. Isso porque o conceito de envolve uma série de variáveis que devem ser consideradas (além de simplesmente um bom preço!).

Vamos explicar…

Tudo deve começar nas variáveis que envolvem o custo de um vinho, composto por três fatores principais:

1) Preço da terra usada para cultivar a uva;

2) Método de cultivo, da produção e do envelhecimento;

3) Popularidade do vinho (oferta e procura, pontuações e reputação da vinícola).

Você já deve ter reparado no alto custo dos vinhos norte-americanos, por exemplo, sobretudo dos Cabernets do Napa e dos Pinots do Vale do Sonoma. Além de o preço da terra ser extremamente alto nas sub-regiões da Califórnia citadas (alguns chegam até ao preço dos principais châteaux de Bordeaux!), o mercado norte-americano é o único do mundo que consome mais vinho do que produz – isso sem falar no nacionalismo seja algo presente na cultura do país -, fazendo com que a procura interna por seus vinhos seja enorme.

Quer ter o privilégio de desarrolhar um vinho produzido na fronteira vinícola dos Estados Unidos? Então é certo que vai pagar caro por isso!

Já a parte do “benefício” é mais facilmente compreendida quando substituída pela palavra qualidade. O vinho pode até ser barato, mas ele corresponde à qualidade esperada para os vinhos daquela faixa de preço?

Se é um vinho barato para determinada região, não se pode esperar grande complexidade aromática dele, assim como estrutura para guarda. O contrário já pode ser esperado se o vinho está com o preço acima da média.

Por que o Zorzal Terroir Único Malbec 2015 merece o primeiro lugar na relação preço/qualidade na categoria? É produzido em Gualtallary, em Mendoza (dentro da sub-região de Tupungato, próximo ao vulcão de mesmo nome, que é um dos picos mais altos da Cordilheira dos Andes), pela vinícola “vinícola do momento” da Argentina.

Vinho Tinto Zorzal Terroir Unico Malbec 2015 750 mL

Os irmãos Michelini, enólogos da Zorzal, têm atraído a atenção da crítica especializada com as suas criações – e a Terroir Único é a linha de entrada. Apesar disso, tem aromas sedutores e mostra o caráter mineral característica do terroir de Gualtallary, que se converte em elegância em taça. É difícil encontrar um vinho mendocino com tamanha sofisticação nessa faixa de preço, ainda mais com tantas pontuações: 90 pontos Robert Parker’s Wine Advocate, 92 pontos Guia Descorchados e 92 pontos Tim Atkin.

Pode-se compreender, portanto, que custo-benefício é entre a qualidade esperada dos vinhos em determinada faixa de preço. A qualidade do vinho supera as expectativas em relação aos vinhos nessa faixa de preço? Então pode-se dizer que tem bom custo-benefício!

Aqui nessa matéria especial, fizemos uma lista com os 10 vinhos com o melhor custo benefício da Grand Cru até R$70!


Por Gustavo Jazra

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