Uruguai: o pequeno notável e seus excelentes vinhos

Publicado em 22/08/2017

Catharina Castro é jornalista e apaixonada por viajar e comer bem. Está sempre buscando um novo destino, um novo restaurante e um bom vinho para harmonizar com sua vida. Na sua coluna de estreia, a jornalista conta de sua viagem pelo Uruguai e os vinhos que encontrou por lá.

Por Catharina Castro

Eu amo viajar. Quem não gosta, não é mesmo? Mas alguns destinos de viagem são ou se tornam especiais em nossas vidas e o Uruguai é um deles. O país foi a minha primeira experiência viajando sozinha e por isso, guardo um enorme carinho por ele.

Esse ano decidi voltar a Argentina e aproveitei para matar as saudades do Uruguai. Estava em Buenos Aires e embarquei de barco numa sexta-feira à noite rumo a Colônia del Sacramento, cidade às margens do Rio da Prata. O trecho entre as duas cidades é curto (cerca de 1h de barco) e muito bem estruturado.

Era uma noite fria de julho na pequena e aconchegante cidade uruguaia, de colonização portuguesa, quando desembarquei para minha rápida passagem. O clima era propício para se degustar uma boa taça de vinho. De preferência, uruguaio, por questões óbvias. Quando cheguei, encontrei com um amigo de longas datas que está morando no país e seguimos para La Casa de Jorge Páez Vilaró cuja família já estava na minha vida há mais tempo – em 2008, quando estive no Uruguai pela primeira vez, fui até lá atraída pelas obras do outro irmão artista, Carlos Páez Vilaró, responsável pela criação da encantadora, Casa Pueblo, localizada em Punta Ballena, a cerca de 13km de Punta del Este.

A Casa de Jorge em Colônia é uma galeria de arte que abriga um exclusivo restaurante internacional decorado com as obras do autor. O local abre todos os dias, mas é necessário reserva, pois está citado nos principais guias de viagem do local e depois desta experiência, eu entendi porquê. Ambiente agradável, comida deliciosa, uma boa carta de vinhos e um atendimento extremamente cortês.

La Casa de Jorge Páez Vilaró.

Iniciamos a noite com um tartar de salmão de entrada e para acompanhar pedi um vinho blend de Pinot Noir e Syrah. Seu aroma frutado e leve sabor de frutas vermelhas harmonizou bem com o prato.

Entrada de Tartar de Salmão, da La Casa de Jorge Páez Vilaró.

Entre brindes, lembranças do passado e histórias do curso de jornalismo, fizemos o pedido dos pratos principais. Como sabia que ainda comeria muita carne argentina na viagem, optei por continuar nos frutos do mar e pedi uma Paella. Para harmonizar, um blend Tannat, Malbec e Cabernet Sauvignon, Reserva de 2013, da vinícola Pizzorno.

Paella de frutos do mar como prato principal.

As pessoas têm o costume de harmonizar os brancos com frutos do mar e os tintos com carnes. Mesmo assim, decidi pedir um tinto e não me arrependo.

Vinho tem dessas particularidades. Às vezes o que é bom pra mim, não é tão bom pra você e vice-versa. Mas eu achei que aquele vinho encorpado na medida certa e acidez no ponto caiu perfeitamente bem com a minha deliciosa Paella de frutos do mar.

A essa altura já estávamos tão satisfeitos com os nossos pratos que dispensamos a sobremesa e seguimos repetindo o vinho da Pizzorno até sermos quase os últimos a sair do restaurante.

A melhor parte é saber que este vinho é vendido no Brasil com exclusividade pela Grand Cru. Assim dá para matar a vontade com mais frequência. Mas se você estiver com viagem marcada para o Uruguai, a dica é agendar uma visita à Bodega (como os uruguaios chamam vinícola) Pizzorno para tomar esse e outros vinhos direto da fonte.

La Casa de Jorge Páez Vilaró

Endereço: Misiones de los Tapes 65, 70000 Colonia del Sacramento, Departamento de Colonia, Uruguai. Horário de funcionamento: todos os dias das 20:00 – 00:00.

Bodega Pizzorno

Endereço: Ruta 32, km 23, cont. Camino Mendoza Canelones, 90000, Uruguai.

 

Catharina Castro é jornalista e apaixonada por viajar e comer bem. Está sempre buscando um novo destino, um novo restaurante e um bom vinho para harmonizar com sua vida. Começou bebendo o vinho da garrafa azul e outros vinhos simples até que resolveu estudar e se dedicar um pouco mais nesse mundo. Já fez cursos (e continua fazendo) e várias viagens tendo o vinho como motivação. Mas, apesar de ter apurado o olfato e mudado o paladar nos últimos anos, ela continua acreditando que o melhor vinho é aquele é bom para você, independente de crítica ou preços. Você confere o trabalho dela no www.cathacastro.com.br.

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