Como a Malbec se tornou a uva mais importante da Argentina

Publicado em 04/05/2016

Como a Malbec veio da Europa à América e se tornou mais argentina do que francesa? Descubra na nossa matéria especial sobre a uva!

Há anos a Malbec carrega a bandeira argentina no peito com orgulho, tradição e muita personalidade. Quem não conhece sua história, mal sabe que seu nome já foi Cot, lá pelas bandas de Cahors, na França. E como ela chegou à América e se tornou um ícone argentino? Pegue uma taça que vamos te contar essa história.

Cahors está numa península às margens do rio Lot, em uma cidadezinha vizinha de Bordeaux cercada por rios, cachoeiras e trilhas, quase sem sol. Foi lá que nasceu a Malbec. Com poucas condições para amadurecer como deveria, originou os “vinhos negros de Cahors”. Eram tânicos, densos e, principalmente, muito escuros. Todas essas características agressivas em nada agradaram aos franceses, e a uva foi ficando esquecida (até um tanto desprezada!) na França.

 

Em contrapartida, Michel Aimé Pouget, agrônomo francês, viajou à Mendoza em meados de 1852 por uma iniciativa dos agricultores locais para estudar os climas favoráveis da América do Sul. Michel levou várias castas francesas, entre elas, a rechaçada Malbec.

Ah, não houve dúvida! A cepa encontrou (literalmente) o seu lugar ao sol. Amadurecendo no solo seco e clima desértico da Argentina, aflorou sua maciez em boca, deixou viver suas frutas e conquistou paladares mundo afora com o dulçor natural da uva. Em 1977, houve um um incentivo do governo para produzir os primeiros Malbecs em barril de carvalho. A estrutura, a vivacidade e as nuances especiadas que o vinho ganhou fizeram tanto sucesso que Mendoza tornou-se um referencial na produção de Malbec.

Voltando à França…

No fim do século 19, o país começou a sofrer com o ataque da praga filoxera que devastou grande parte de seus vinhedos. Bastou alguns anos para que a Argentina fosse o único país do mundo com videiras originais de Malbec. Hoje, muitos já foram recuperados e a casta é bastante utilizada em cortes na Europa, mas não restam dúvidas de que ela se fixou como a uva nacional argentina.

Na França, prevalecem as notas herbáceas e rústicas, enquanto no país dos “hermanos” destaca-se pela maciez, frutas e dulçor.

Quem diria que o grande ícone argentino teria nascido na França, não é mesmo?


Por Carol Oliveira

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