A história da uva Carménère no Chile

Publicado em 19/05/2016

Parece que as uvas francesas gostam mesmo dos solos da América Latina. A história da Malbec você já conhece, mas sabia que a Carménère também é outra cepa europeia que encontrou seu lugar ao sol aqui pertinho?

Vamos ao princípio. Por muito tempo, lá na França, principalmente pelas propriedades de Bordeaux, a Carménère e a Merlot eram cultivadas juntas, até por terem um tempo de amadurecimento bastante parecido. Tornou-se extremamente tradicional em Bordeuax e em outros cortes franceses até que…

Como sabemos, fim do século 19, chegou a praga Filoxera e devastou os vinhedos da França (conheça em detalhes a história da Filoxera aqui). Foi aí que muitos enólogos e agrônomos trouxeram castas europeias para a América na tentativa de recuperá-las. Foi então que a Carménère chegou ao Chile confundida com a Merlot – além de serem fisicamente parecidas, a Carménère, como era colhida junto com a Merlot, também ganhava notas herbáceas. E durante anos a fio as duas foram plantadas, vinificadas e consumidas como se fossem a mesma.

Até que alguns enólogos no Chile começaram a perceber que algumas vinhas de “Merlot” demoravam mais para amadurecer e decidiram fazer análises comparativas. Só então descobriu-se que eram uvas diferentes e as notas verdes e os taninos duros da Carménère só se destacavam tanto porque ela estava sendo colhida no tempo errado, é uma uva de maturação mais tardia do que a Merlot.

Descoberto o potencial da cepa no Chile, alguns enólogos começaram a trabalhá-la de maneira tão cuidadosa e eficiente que hoje o país detém alguns dos melhores exemplares de Carménère, enquanto lá na França… Bem, raramente se vê um rótulo com ela.

Por muitos anos confundida com a Merlot, a cepa mostrou todo o seu potencial no país andino e hoje faz sucesso mundo afora, inclusive é uma das castas preferidas dos brasileiros.

E se quer uma dica, saiba que são vinhos ótimos para harmonizar com variados tipos de pizza – marguerita, calabresa e afins – ou carnes magras, massas com ragu e aves de caça, como pato. Além de reter boa acidez para harmonizar, os Carménères chilenos ganham mais corpo do que os franceses e taninos presentes, porém macios. São vinhos herbáceos, de boa estrutura e fáceis de beber.

O Errazuriz 1870 Carménère Reserva é uma ótima opção para bebericar enquanto abre o apetite, este vinho é daqueles para se ter sempre à postos na adega quando for receber os amigos em casa!

Vinho Tinto Errazuriz 1870 Carménère Reserva 2015 750 mL

 


Por Carol Oliveira

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