Sicília: descubra porque os vinhos da ilha italiana estão na moda

Publicado em 08/11/2016

A Sicília é a maior ilha do mediterrâneo, separada da Itália apenas pelo Estreito de Messina, e possui uma forte tradição com os fermentados de uva. O vinho começou a ser produzido na região ainda no século VIII antes da era comum, quando chegaram em sua costa os primeiros gregos com a intenção de construir colônias.

De lá para cá, diversos povos de culturas muito diferentes ocuparam a Sicília: fenícios, gregos, cartagineses, vândalos, árabes, normandos e espanhóis.

Não à toa, seus monumentos históricos quase intactos são um passeio à parte, como o templo grego de Agrigento, os mosaicos romanos da Piazza Amerina, os castelos da época das Cruzadas e as capelas de Palermo.

Agrigento na Sicília, possui um dos mais intactos templos gregos.

Desse passado multicultural, a Sicília se destaca por sua variedade impressionantes de microclimas e terroirs, que a tornam uma região muito interessante para a vinicultura. Embora produza vinho desde a antiguidade grega, foi no século XVIII que colonos ingleses criaram o internacionalmente conhecido vinho Marsala, cujas uvas recebem boas influências dos ventos quentes vindos da África.

Ainda assim, durante muito tempo, a Sicília foi conhecida por sua superprodução de vinhos, mas por uma certa estagnação de qualidade. Esse cenário foi consequência do rápido crescimento de suas gigantes fábricas de vinhos que surgiram entre as décadas de 1980 e 1990, tanto que em 1990 a ilha chegou a competir com a Puglia como a região vinícola mais produtiva da Itália.

No entanto, foi a partir do início desse século que os produtores locais, liderados pela família do vinicultor Diego Planeta, resolveram focar na qualidade dos vinhos, mas do que na sua quantidade.

Hoje a ilha é uma das maiores e mais importantes regiões vinícolas italianas, e seus vinhos são considerados a maior tendência do momento no mercado da bebida. Conheça um pouco mais sobre esse território e descubra porque os vinhos sicilianos estão ganhando cada vez mais fama!

O terroir da Sicília

O relevo da Sicília é acidentado e os solos da região são pobres, o que é ideal para os vinhedos. As videiras são plantadas nas encostas das montanhas, onde recebem uma excelente exposição solar.

O clima é quente e seco, com verões intensos e poucas chuvas, tipicamente mediterrânico, o que obriga quase metade dos vinhedos a serem cultivados com irrigação. No entanto, os vinhedos recebem uma excelente mineralidade vinda do Mar Mediterrâneo que circunda a ilha.

No interior, o clima é mais fresco e mais verde, e os picos das montanhas mais altas chegam a ficar cobertos de neve durante o inverno. Um dos picos mais altos da ilha é o Monte Etna, onde encontramos um vulcão ainda em atividade, e cujos arredores dão origem à um dos vinhos mais bem cotados da região.

Monte Etna, na Sicília.

As uvas da Sicília

O terroir da Sicília é ideal para o cultivo das uvas internacionais, como a Merlot e a Chardonnay, mas são as suas uvas nativas que são um espetáculo à parte. A Nero d’Avola é a mais conhecida delas, capaz de produzir vinhos estruturados, com notas de frutas vermelhas maduras. Ao redor do vulcão do Monte Etna, a uva Nerello Mascalese consegue sobreviver em altitudes de até 1.000 metros, enquanto a Etna Rosso produz vinhos delicados.

A Pinot Grigio, a uva da moda, também produz vinhos fantásticos na Sicília. Assim como a Moscato, que dá origem aos vinhos de sobremesa mais conhecidos da região.

Por que os vinhos da Sicília estão na moda?

Além de serem produzidos com uvas importantes e que ganham cada vez mais espaço no mercado internacional, como a Pinot Grigio e a Nero d’Avola, os vinhos sicilianos conquistaram uma qualidade superior, equiparável a de muitas regiões tradicionais italianas, mas com preços bem mais acessíveis. Aproveite essa excelente oportunidade para prová-los!

O Barone Montalto Acquerello Nero D’Avola é um típico vinho siciliano feito com a uva nativa da região, a Nero d’Avola. Não deixe de provar!

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