Allegrini: conheça a história da icônica vinícola de Valpolicella

Publicado em 26/04/2018

Fundada no século XVI, a vinícola Allegrini é uma das mais inovadoras da região do Vêneto, no nordeste da Itália. Entenda as mudanças que a vinícola está provocando nesses tradicionais vinhos.

Uma das vinícolas italianas mais premiadas e reconhecidas no mundo, a Allegrini é propriedade da família de mesmo nome e está localiza nas colinas de Valpolicella desde o século XVI. Séculos depois, a família comanda mais de 100 hectares de vinhedos dentro da denominação, sendo que seus vinhos são exclusivamente feitos a partir de uvas tradicionais da região – como Corvina Veronese, Rondinella e Oseleta – cultivadas em vinhedos próprios.

Depois de muitas pesquisas e experimentações no coração dos vinhedos e das adegas, a vinícola Allegrini introduziu inovações radicais no mundo vitivinícola desde técnicas de secagem das uvas até práticas de enologia, com o objetivo de valorizar o potencial de qualidade existente dentro de Valpolicella. A capacidade de sintonia com as novas tendências do mercado, unida ao desejo da família de valorizar ao máximo as características de suas próprias vinhas, criaram vinhos delicados e sensuais, que representam toda a expressão da história do território.

As inovações tecnológicas da Allegrini

A primeira inovação tecnológica proposta pela Allegrini chegou nos anos 1980, com a substituição do sistema de condução típico do Vêneto, a Pérgola Trentina, para o Guyot. “No Vêneto, se usava e ainda se usa um sistema de condução que chama Pérgola Trentina, que vem do Trento, mais a norte, e é aquele sistema de condução da videira que é fechado em cima”, explica o sommelier Massimo Leoncini. A mudança se deveu justamente à menor quantidade de horas de exposição solar das videiras da região de Valpolicella, resultando em plantas com menor rendimento e melhor qualidade e concentração de fruta.

“Outra inovação que eles trouxeram para a viticultura foi no que diz respeito ao sistema de produzir o Valpolicella Ripasso”, conta Massimo. Tradicionalmente, o método reutiliza as uvas da fermentação do Amarone della Valpolicella para aumentar a quantidade de açúcar do vinho Valpolicella, vinho de entrada aos grandes exemplares da região, utilizando-se apenas os açúcares provenientes das próprias uvas apassitadas depois de terem fermentado o vinho principal da região. “A família Allegrini percebeu que essa técnica não era muito interessante porque depois que as uvas fermentam durante muito tempo no Amarone elas, na maioria das vezes, em vez de darem um ‘up’ no vinho resultando num ‘down'”, explica. A mudança na técnica permitiu a Allegrini produzir um Valpolicella Ripasso mais limpo no nariz, mais frutado e com nível de estrutura mais interessante do que um Ripasso feito com o método convencional.

Palazzo della Torre: Ripasso ou IGT?

Apesar de ainda não ser aceita pela legislação italiana, a mudança do método no Ripasso começou a partir da utilização de uvas apassitadas novas, ou seja, uvas que ainda não foram utilizadas para a fermentação do Amarone. “Eles não podem chamar de Ripasso, por isso colocam Índice Geográfico Típico (IGT), como é o caso do Palazzo della Torre, que seria um Valpolicella Ripasso”, conclui Massimo.

Vinho Tinto Allegrini Palazzo della Torre Veronese IGT 2014 750 mL

O vinho ícone da vinícola: Allegrini Amarone della Valpolicella

Só para se ter uma ideia, das últimas 10 safras nove foram avaliadas com mais de 90 pontos pela revista norte-americana Robert Parker’s Wine Advocate. Recém lançada pela vinícola, a safra 2013 ainda não foi avaliada – mas fazemos a nossa aposta que será prestigiada com uma excelente pontuação. Confira mais detalhes sobre o vinho icônico da Allegrini e prove os outros vinhos dessa vinícola que combina tão bem tradição e inovação.

Vinho Tinto Allegrini Amarone della Valpolicella Classico DOCG 2013 750 mL

Por Gustavo Jazra e Marina Leal

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