Além da Tempranillo: as outras uvas tintas da Espanha

Publicado em 09/06/2016

A Tempranillo você já conhece. A uva tinta ganhou fama pelos grandes vinhos a que dá origem em Rioja, Ribera del Duero e Toro. Mas outras cepas, além dela, têm importância significativa em outras partes da Espanha. Conheça as outras uvas tintas da Espanha!

Garnacha

Conhecida como Grenache na França, a Garnacha está espalhada por toda a costa do Mediterrâneo. Na Espanha, dá origem a grandes vinhos no Priorato, sobretudo quando estamos falando das vinhas velhas que a região preserva. Além do Priorato, a cepa também está presente em outras regiões da Catalunha, como Montsant e Penedès, e é uma das uvas autorizadas em Rioja – a que melhor se adaptou ao terroir da quente e seca Rioja Baja, única sub-região de Rioja que recebe influência do Mediterrâneo. Seus vinhos, quando a uva é cultivada em vinhas velhas, são alcoólico e encorpados, com bastante intensidade e complexidade aromática.

Vinho Tinto Menguante Garnacha 2015 750 mL

Monastrell

Não se engane se nunca ouviu falar em Monastrell (ou Mourvèdre, como é chamada na França), pois você certamente já provou algum vinho que contenha a variedade em seu corte. A cepa é uma das três que entram no blend mais tradicional dos vinhos do Rhône – conhecido pela sigla GSM, ou Grenache, Syrah e Mourvèdre. Se na França ela divide o pódio com as outras duas, ficando muitas vezes na terceira posição, na Espanha ela encontrou o seu lugar ao sol (literalmente) e protagoniza muitos dos vinhos da costa do Mediterrâneo. A Monastrell dá origem a vinhos muito encorpados e tânicos, com destaque para o caráter de frutas negras maduras e especiarias. Por vezes, seus taninos são controlados realizando-se maceração carbônica. Se adaptou bem às regiões de Jumilla e Yecla, justamente por precisas de condições quentes e ensolaradas para amadurecer completamente, além de ser resistente à seca.

Vinho Tinto Romeo 2015 750 mL

Cariñena, Mazuelo ou Samsó

Dependendo da região da Espanha, a cepa mais conhecida como Carignan (em francês) recebe um nome diferente – Mazuelo em Rioja, Samsó na Catalunha e Cariñena nas demais regiões. A casta dá origem a vinhos com elevada acidez, taninos e cor – por essas suas características, é comumente adicionada em cortes para dar mais estrutura ao vinho.

Vinho Tinto Xabec Montsant 2011 750 mL

Mencía

Embora a Mencía seja pouco explorada pelos brasileiros, a cepa tem grande potencial a ser explorado (sobretudo para os amantes de tintos mais leves, como Pinot Noir ou Gamay!). Trata-se da principal casta de Bierzo, região localizada a noroeste da Espanha, entre a Galícia e a Meseta Central. Os melhores vinhedos de Mencía estão localizados em encostas íngremes de xisto. Produz vinhos de corpo leve, com acidez naturalmente alta e caráter frutado. Quando cultivada em vinhas velhas, mostra mais corpo e maior concentração de fruta.

Vinho Tinto Gotín del Risc Mencia 2012 750 mL

Bobal

Grandes chances de nunca ter ouvido falar na pouco conhecida Bobal (apesar de ser a terceira uva mais cultivada da Espanha!). Está presente em Valência, sua região de origem, e em La Mancha. Normalmente entra em cortes com Monastrell e Cabernet Sauvignon, por contribuir com intensidade de cor e acidez à bebida. Trata-se de uma casta rústica que, resistente a pragas, foi amplamente cultivada para produzir vinhos em grandes volumes. Quando cultivada em menor produtividade, dá origem a vinhos com certo caráter rústico, mas complexas notas de chocolate e frutos secos.

Graciano

Por décadas a Graciano foi deixada de lado na Espanha, mas está começando a ressurgir pela grande contribuição nos cortes de Rioja. Ela empresta aromas de frutas negras ao vinho, além de contribuir para o aumento da acidez e dos taninos (ou seja, ajuda o vinho com estrutura para envelhecer). Ainda não tem importância significativa em varietais ou em outras regiões do país, algo que deve mudar futuramente.

Vinho Tinto Zuazo Gastón Finca Costanillas Rioja DOC 2014 750 mL

Castas internacionais

Embora a Espanha seja um país com amplo cultivo de castas autóctones, é cada vez mais comum encontrar variedades internacionais, como a Cabernet Sauvignon e a Syrah, nos extensos vinhedos do país. Regiões mais novas, como Jumilla, sustentaram o renascimento de suas atividades após a praga da filoxera com o amplo cultivo dessas variedades. Além disso, o Priorato faz uso de pequenas porcentagens delas no corte de maioria Garnacha.

Apesar de a maioria dos vinhos da Espanha serem tintos, o país produz vinhos brancos que merecem atenção especial. Conheça as uvas brancas mais importantes da Espanha e saiba que vinhos você deve conhecer.

Vinho Tinto Alceño Premium 50 Barricas Syrah 2012 750 mL


Por Gustavo Jazra

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