O valor da expressão "mis en bouteille au domaine", por Didú Russo

Publicado em 24/10/2017

Um delicioso e guloso vinho do Rhône que deixa qualquer apreciador satisfeito. O vinho tem corpo, tem acidez, tem estrutura, seduz com aromas que se confirmam na boca (adoro quando um vinho tem isso!). Neste, com seus 55% Grenache Noir, 35% Syrah, 7% Cinsault e 3% Mourvèdre, percebi cerejas e ameixas, com toques de groselha, um toque terroso agradável e um leve e elegante esfumaçado. Vinho denso e gostoso que vale experimentar!

Por Didú Russo

O Rhône, como toda região famosa de vinhos no mundo, produz vinhos e vinhos, mas há uma dica importante sobre o Rhône, que é: comprar sempre vinhos de produtores, mais do que de comerciantes.

Isso é algo que você pode identificar lendo a expressão “mis en bouteille au domaine” no rótulo. A expressão é garantia de que o vinho foi engarrafado na mesma propriedade onde foram cultivadas as uvas e onde foram vinificadas. Isso faz grande diferença, pois os produtores costumam ter vinhos superiores aos dos comerciantes, que compram vinhos de diversos produtores e engarrafam. E é o caso deste vinho, de um produtor renomado de Châteauneuf-du-Pape, o Château La Nerthe.

O Château La Nerthe foi, por séculos, de aristocratas da família Tulle, que conquistou grande prestígio, fornecendo vinhos para mesas das Cortes Reais de Londres, Roma e até Versailles. No século XIX, passou para as mãos de Joseph Ducos, que tem Christian Veroux como o responsável pela produção dos vinhos.

O Rhône tem a fama de ser a terceira região mais famosa de vinhos na França, ficando atrás de Bordeaux e de Bourgogne. Muito dessa fama vem de Châteauneuf-Du-Pape, no Rhône Sul (13 castas diferentes, sendo 8 tintas e 5 brancas), e dos Hermitage, no Rhône Norte (Syrah). Mas o Rhône é uma região grande, de cerca de 230 quilômetros de extensão, que margeia o rio de mesmo nome e que vai de Lion até Avignon, e seus vinhos deliciosamente gulosos são predominantemente tintos (88% da produção), que variam de leves e frutados até os exemplares mais tânicos, passando também por rosés intensos (que representam 8% do total) e ótimos e densos brancos (4%).

Experimente mais o Rhône, você certamente vai encontrar grande prazer. Santé!

 

Didú Russo é Editor do site www.didu.com.br. Depois de ter passado por diversos veículos de comunicação como Revista Manchete, Editora Globo e TV Record, Eduardo Russo – mais conhecido pelo apelido Didú – escreve sobre vinhos desde 1992 e já lançou dois livros sobre o tema: “Nem leigo, nem expert” e “Vinho para o sucesso profissional”. Depois de ter ministrado mais de 200 palestras e ser o Editor de um dos maiores blogs de vinho do Brasil há mais de 15 anos, também é vice-presidente da Confraria dos Sommeliers, colaborador das revistas 29horas, Prazeres da Mesa, do Jornal do Vinho & Cia e é coordenador do Comitê do Vinho da FECOMERCIO, onde atua na desoneração, desburocratização e divulgação do vinho.

Esta matéria fala sobre: O vinho em questão...